27 novembro 2009


'com essa personalidade és um autentico nicho.'

26 novembro 2009


no meio das mudanças, preciso de ter a minha estabilidade.

25 novembro 2009

Quase esquecera a dor. Abriu os olhos, fitando O'Brien com gratidão. Ao ver aquela face rude, sulcada de rugas, tão feia e tão inteligente, deu-se uma reviravolta no seu coração. Se pudesse mexer-se teria estendido a mão para a pousar no braço de O'Brien. Nunca a afeição que lhe tinha fora tão profunda como naquele momento, e não apenas por ter interrompido o seu sofrimento. Voltava à sua antiga sensação de que, no fundo, tanto fazia sazer se O'Brien era amigo ou inimigo. Com O'Brien podia-se falar. Talvez uma pessoa preferisse ser compreendida e amada. O'Brien torturara-o até ao limiar da loucura e, o mais certo, dentro em breve condená-lo-ia à morte. Mas isso nao tinha importância. Num certo sentido, mais profundo do que a amizade, eles eram íntimos: embora as palavras talvez nunca viessem a ser efectivamente pronunciadas, existia algures um lugar onde poderiam encontrar-se e conversar. O'Brien olhava-o com uma expressão em que se adivinhava ter-lhe ocorrido exactamente o mesmo pensamento. Quando voltou a falar, fê-lo com a ligeireza de uma conversa amena.

mil novecentos e oitenta e quatro de George Orwell

24 novembro 2009


não convém substimá-lo, ele venceu a primeira corrida da vida. o seu engenho e desejo por derrubar a derradeira barreira fê-lo ganhar o primeiro lugar na história. e é por isto que devemos consciencializarmo-nos que todas as barreiras são ultrapassaveis. interiorizar que a primeira barreira, a mais fundamental de todas, foi vencida. e aqui estou eu, depois de vencer a primeira barreira, e tantas outras, que surgem dia após dia.

Fui o espermatozóide mais rápido!

são focus de luz que me encandeiam o pensamento.

22 novembro 2009

i have my moments but no one wants just moments.
they want magic and birthday cake - all the time.

20 novembro 2009


as cartas somos nós. cada palavra que acrescentamos ao texto é mais um detalhe de um acontecimento, somos um composto de virgulas, pontos finais e aspas. escrevemos tudo com a precisão de um arquitecto. soletramos o abc enquanto narramos a nossa estória. é uma especie de anulamento de peso mental conjunto. um dia, com muito tempo, editamos um livro, não para saberem as nossas estórias, para sentirem o alívio que a escrita nos transmite.

17 novembro 2009


Cinquenta-e-seis primaveras Zezão.

15 novembro 2009

perdida num mundo onde o monstro é uma grande parte de mim.

14 novembro 2009

se a amizade for mais do que uma palavra no dicionário, entao ela está estampada aqui.

Claro que te farei mal.
Claro que me farás mal.

Claro que podemos, mas essa é a condição da existência. Receber a Primavera significa correr os riscos do Inverno. Se desistir agora será correr o risco do desaparecimento.

Sept lettres à Natalie Paley

13 novembro 2009


cheguei a dizer que as recebi? :)

sexta-feira, 13.
Boa sorte.

11 novembro 2009

Era uma vez um menino que andava na escola. E o menino estava na escola e aprendia os verbos, porque quando se está na escola tem de se aprender os verbos e os verbos têm de ser aprendidos. Porque os verbos são o que faz com que as coisas andem, são as pernas das palavras. E se não aprendem as palavras não andam. E naquele dia era o verbo ter. Começava assim eu tenho e depois eu tinha e no fim eu tive. E o menino ficou a saber o que eram as coisas que estão e as coisas que já se foram embora. E era uma lição muito fácil e o menino lembrava-se que os avós já cá não estavam, e por isso já não tinha avós e só tinha meio pai porque o pai vivia com a meia mãe.
E o menino aprendia, aprendia muito, mais verbos, maneiras de ser do mesmo verbo, porque os verbos têm muitas maneiras de ser, como as pessoas, algumas maneiras tristes como eu teria e maneiras de muita alegria como eu terei. E o menino lembrava-se do Natal, que cada ano havia, e de todas aquelas coisas que não tivera por ter ficado de castigo.
Um dia o menino tinha de aprender eu tinha tido. Foi um dia muito triste. Nesse dia chovia muito e ele sentiu que um dia seria homem. Começou tudo nesse dia. Com muita pena.

Era uma vez por José António Barreiros

09 novembro 2009


Well, I hear the music, close my eyes, feel the rhythm,
wrap around, take a hold of my heart.

Houve uma tarde em que conversámos sobre a discussão que tínhamos tido há precisamente uma semana. A incompreensão desvaneceu-se depois de três ou quatro construções frásicas. Abraçaste-me.
Hoje, ao ver o telemóvel, leio a mesma incompreensão. Sabes, não será um erro repetido mas uma incompreensão somada a tantas outras. Não será um irás ver mas um já viste?

08 novembro 2009

estou supostamente tão perdida nestes últimos dias que pensas que me passas ao lado.

04 novembro 2009


you bird. you bird in me. i feel your wings.

03 novembro 2009


rabisco a minha vida numa folha de papel cavalinho A2. E visualizo a corda fina e tremula de um trapezista. De um trapezista com sorriso de palhaço, mãos de mágico, energia de contorcionista e coração de domador. E eu sei que ele apenas procura a sanidade própria.
Eu sei porque eu sou ele, o trapezista.

Olhe para o seu pulso esquerdo: está lá um Rolex? É verdadeiro? Recebeu-o de presente? Se respondeu sim a estas perguntas, trema: a sua face pode deixar de estar oculta. O caso não cessa de surpreender. Há cada vez mais empresas envolvidas na "teia tentacular" de Manuel Godinho, sempre com o padrão de ligação ao Estado.
(...)

Anda meio mundo a prostituir-se com pins de grandes empresas na lapela. Cada velhaco tem o seu preço: um Rolex, um computador, um Mercedes ou a conta mensal do telemóvel. E por aí andam, nariz no ar, a fazer pela vidinha, intrujando a empresa e arrastando o nome dos colegas, chefes e chefiados para a lama onde rebolam como os porcos de Orwell: de cartola e relógio de pulso.

Se Godinho é suspeito de crimes fiscais desde 2007, por que razão as empresas do Estado não o baniram da lista de fornecedores? A idoneidade não é critério?
Finalmente: o que diz o código de ética da REN, cujo presidente José Penedos foi ontem constituído arguido e que recebeu presentes (que garante ter doado a instituições de caridade)?
Que "as ofertas recebidas de terceiros devem ser recusadas". Está bem abelha. José Penedos não tem condições para continuar como presidente da REN, o que se aplica também a Armando Vara no BCP, como aqui já foi escrito. Mas isto é pregar no deserto daqueles para quem a lei é a ética republicana.

Aproxima-se o Natal, época de concórdia, de paz e de corrupção. Oh-oh-oh, venham de lá os sacos e os envelopes: cada prenda distribuída será retribuída. Se não for com amor, arranja-se um favor.

Pedro Santos Guerreiro

02 novembro 2009


Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?
(1867) Eça de Queiroz in O distrito de Évora

cento-quarenta-dois anos depois esperamos o quê?

01 novembro 2009


o ínicio de novembro toca sininhos lá fora.