26 agosto 2010


ele não está abandonado, as palavras é que ficaram nos lugares por onde passei, mas os sorrisos trouxe-os comigo, gravados na memoria de um memory disk. organizei as fotografias por dias, por local, arrumadas ao infimo detalhe, segundo uma preciosa necessidade de nao esquecer pormenores. Sempre ao som do melhor reggae.

18 agosto 2010

‎' Certas perguntas são feitas apenas para salientar a ausência de uma resposta '

09 agosto 2010

Sabes, aquela sensação de sufoco, em que dás por ti a respirar fundo, segurando momentaneamente a respiração, porque é a única maneira que conheces para prenderes as lágrimas mais um pouco dentro de ti. E logo a seguir a raiva, pensas que é a tristeza, mas não é. A tristeza é bonita de mais para que os outros a possam ver, é só tua, e tu sabes que não vais querer partilha-la com ninguém. A seguir tens aquele nó na garganta e sentes uma inquietação a percorrer-te o corpo, começas a tremer a perna, a estalar os dedos, róis as unhas, suspiras cada vez mais fundo. A esta altura os teus olhos já estão tão cheios que começas a ver a visão turva, como se tivesse começado a chover e não houvesse para onde escoar a água. Se alguém olha para ti finges que tens qualquer coisa no olho, uma pestana serve perfeitamente para a ocasião, não tens bem a certeza se acreditam, torces para que sim. Desvias o olhar para vários sítios, porque achas que vais engana-los, aos olhos, - não, agora não - pensas. O esforço é tanto que neste momento as tuas narinas abrem e fecham, aprendeste também isto, para prolongar a demora. Depois é uma questão de segundos até começar a escorrer água pela tua cara. Se chegares até aqui sabes que já não há nada a fazer e o melhor é colaborares. Sentes um certo alívio. Quando acabares sabes que toda a superfície de pele imediatamente abaixo dos teus olhos vai arder, olhas ao espelho, o quão mal pode estar. Passas água pela cara e respondes o resto do dia "dormi mal, são olheiras de cansaço". Sabes que à noite, quando agarrares a almofada com um abraço, vais repetir tudo, mas de um modo mais natural, afinal já o fazes há anos, e vais pedir-lhes, às lágrimas, que te embalem até adormeceres. E acredita, jamais alguém fará tão brilhante trabalho.

02 agosto 2010



- (...) temos baixas e feridos, mas mais do segundo mal do que do primeiro, o ínicio da batalha foi inesperado e tirou-nos o fôlego e a capacidade de raciocínio. Não temos protecção contra um próximo ataque, uma vez que a primeira linha foi facilmente derrubada nesta batalha. Resta-nos o sangue que nos escorrega pela mãos enquanto deitamos por terra o arsenal que nos acompanha e afagamos o corpo contra o chão arenoso. Mesmo com o pior dos cenários ganhámos meu senhor. 

- E eles, meu jovem?

- O nosso coração receia outras batalhas mas sabemos perfeitamente que é esta a nossa razão de viver.
(Continuarei a comandar os meus homens nesta demanda como se fossemos um só peregrino mas a verdade é que morreu um pouco de mim hoje. E é o sentimento de perda, mesmo na vitória, que me corrói o espírito. Hoje não há júbilo entre nós, o meu senhor não precisa de saber isso.)

01 agosto 2010



não pretendo usar novamente a tesão como razão. é mais do que isso. são as saudades dos movimentos acrobáticos, as dores bonitas do pós-sexo casual, os beijinhos os abraçinhos as coisas tais que se trocam nos entretantos, o sufoco inicial da gana repreendida, os corpos unidos num olá e meia chávena de conversa. É disso que sinto falta, sabendo à priori que amanhã nos encontramos novamente, até porque se quer mais do mesmo ou então, quem sabe, apenas trocar os beijinhos-bons à beira rio entrelaçados com conversa-miúda-só-nossa e sorrisos-que-são-só-para-ti (e teus).