31 março 2009


Os dias estão a passar muito depressa.

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado - a morar comigo, a andar comigo, a falar comigo - todos os meus amigos e, principalmente, os que só desconfiam ou talvez nunca hão-de saber que são meus amigos.
Paulo Sant'Ana

30 março 2009

O gato da minha vizinha anda de elevador. Perde-se frequentemente nas escadas. Eu chamo-o. Corre, passa entre as minhas pernas e ronrona.
O gato da minha vizinha outrora viveu na rua. Vagabundo de caixote em caixote. Magrinho e de pêlo áspero.
O gato da minha vizinha faz-me companhia enquanto estendo a roupa. Pavoneia-se pelo corredor enquanto espera pelas minhas festinhas. Irrompe pela minha casa quando estou distraida.
O gato da minha vizinha é barrigudo de pêlo fofo. Nunca lhe vi as garras. É um equilibrista, sentado direitinho na varanda a olhar o Tejo.
O gato da minha vizinha é um pedinchas de carinho. E eu dou-lhe sempre o que ele quer.

29 março 2009

Escreve o teu amor em cada canto da nossa cidade.

28 março 2009


Tenho este problema: não consigo esquecer-me de nada. Não consigo abstrair-me de nada. É como se tudo existisse e vivesse em mim, todas as coisas do mundo ao mesmo tempo na minha mente.

Nesta minha cabeça de Babel, também o meu tempo nem sempre acerta o passo com o tempo que marcam os relógios, tic-tacs variados que me fazem sentir sempre atrasada para um qualquer encontro. Tanta coisa a existir, tanto tempo para acertar o passo comigo, tanto tudo ao mesmo tempo que me dói tudo.
Vivo em delay permanente.
Nem sequer sei, depois, quando penso bem nisso, se estou realmente atrasada, desfasada neste tempo que me obrigam a cumprir porque me serve de guia.

Não sinto, no entanto, os anos que tenho. Não sinto o fim nem o princípio do que sou. Quanto tempo têm estes peixes do meu aquário? Diz-se que os peixes duram poucos anos, poucos meses... Serão dias? Não sei. Secalhar sabem quanto tempo têm para nadar furiosamente no aquário em manobras de respirar sempre um pouco mais.
E por isso parecem eles mais livres lá dentro do que eu aqui dentro.

excerto do diário de Pandora Noreia Barbosa

26 março 2009


andar mais devagar para conseguir ver o que não se vê para lá do que existe.