31 outubro 2009

27 outubro 2009



vinte e sete do décimo mês.

26 outubro 2009


#3 o meu aniversário está proximo e eu adoro este corpete.
desincronizados, extraimos lentamente aquela neblina dos nossos pulmões. Ali, onde a ponte sobre o tejo é o pano de fundo, o rumo da conversa segue sempre o mesmo caminho. choramos memórias, contamos pecados, crucificamos pessoas, ressuscitamos os mortos e idealizamos futuros.
Duas almas que expulsam não só o fumo encarcerado nos pulmões mas também toda uma gosma de tristezas. uma vez ou outra lá contam alegrias, dizem piadas e pedem perdão. não são órfãos da felicidade apenas possuem um contentamento descontente desta vida.
Casaco apertado, cigarro na mão e um avultar de histórias pormenorizadas. o nosso best seate é ali, onde a maré vaza lentamente e as pessoas adormecem ao escurecer do dia. Somos almas de pulmão cheio e coração pequeno. Ali, ninguém nos ouve, nem nos encontra. deciframos perguntas e obtemos respostas, ou algo muito parecido. No fim, deixamos naquele espaço um bocadinho de nós e trazemos um coração mais quente ou, pelo menos, menos carregado.
ser o centro das atenções é efémero, faço-me compreender?

25 outubro 2009


cada um tem de mim exactamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou (...) pois o triunfo pertence a quem mais se atreve e a vida é muito para ser insignificante.

charles chaplin

23 outubro 2009


Todo o comportamento tem valor de mensagem.

21 outubro 2009


o sr. joão é a minha companhia naquelas quatro paredes, corredor e escadas daquele edíficio que me deixou de fascinar. discutimos as notícias do dia, analisamos a nossa pátria e procuramos semelhanças em duas pessoas com idades tão distintas. e eu adoro o sr. joão por isso. mas adoro-o ainda mais por todos os dias arredar-me daquelas quatro paredes, corredor e escadas daquele edíficio que me deixou de fascinar, ao levar-me a viajar para um tempo que não é meu e que o faz tão feliz.





Nas gavetas, não guardo só dias felizes.

20 outubro 2009


Já foi dito que o tempo cura todas as feridas. Não concordo.
A ferida continua. Com o tempo, a mente protege-se da insanidade cobrindo a ferida com cicatrizes, e a dor diminiu, mas nunca desaparece.


Rose Kennedy


se estiver a pensar em alguém e esse alguém me ligar, significa que é má pessoa?

19 outubro 2009

18 outubro 2009

Que estranho destino é o meu
que apenas me consente paixões ardentes
e me faz esgotar em amores improváveis.


José Manuel Saraiva

17 outubro 2009



16 outubro 2009

há demasiadas verdades dentro de nós.
contê-las significa criar um rasto de amargura que não se exterioriza, não se pensa, não se remove facilmente. e enquanto matamos pedacinhos de nós, afastamos os outros. aqueles que nos envolvem, nos protegem e que normalmente não estão ao corrente da situação.


"... Partes de mim deixaram de existir. A certeza que fica é que para a vida valer a pena é necessário amar e ser amado, e ter muito cuidado com o cristal de que os outros são feitos.
Os outros sim, que nós somos de aço. Excepto, claro, quando choramos."
Nuno Lobo Antunes em Sinto Muito

15 outubro 2009

I think I need a new town, to leave this all behind. I think I need a sunrise, I'm tired of the sunset.

como se a urgência dos dias me empurasse em direcção ao penhasco da vida. um tic-tac intransigente, impetuoso, inobliterável... quebra-se o sossego dos dias e o sono não é o mesmo.

#2 o meu aniversário está próximo. e eu quero uma destas. daqui

ninguém me faz sentir o mesmo.

14 outubro 2009


Os olhos da nossa memória vêem melhor do que os nossos.

estação Saldanha - metropolitano de lisboa

13 outubro 2009


Há pessoas que têm uma vida normal e não caem tantas vezes, tantas quanto aquelas que eu discuto, que eu questiono, que eu grito, que eu tenho medo, que me escondo ou fujo. Há de facto pessoas que conseguem viver lado a lado ou até mesmo frente a frente, quando uma precisa de andar mais rápido do que a outra. Conseguem absorver o silêncio, mudar-se, ajeitar-se, viver apaixonadamente todos os momentos, sem ligar a detalhes infimamente pequenos. Aos quais eu ligo constantemente e sofregamente.
E querer e ter têm uma margem bastante grande de diferença e, por isso, é continuar a viver sonhando, querendo e imaginando o que seria se eu, sobretudo eu, fosse um pouco diferente para com o outro. E vice-versa, mas principalmente eu, enquanto Eu face ao outro.


...ainda há pessoas com sentido de humor.

11 outubro 2009


Ela a dizer:

- Não sejas parvo.
Ela está deitada no chão, completamente nua, de costas para cima. Romeu tem apenas cuecas. Na mão segura um baralho de cartas. Ela tem uma camisa debaixo dos seios e ele está sentado, ao lado dela. Agora mesmo ele acabou de dizer:
- Vou fazer um jogo de cartas nas tuas costas. Se, no final, a carta que ficar for um ás de copas é porque tu me és fiel. Se for um ás de espadas é porque me és infiel. E a espada representa sangue, já sabes.
Julieta murmurou:
- Não sejas parvo.
- É uma maneira de não me mentires - prosseguiu Romeu, em tom de gozo. - Estás nua e de costas para o jogo; não me podes mentir. É a melhor maneira de sabermos a verdade.
- Não sejas estúpido.
Romeu começou a pôr cartas viradas para baixo nas costas de Julieta. Esta resistiu, yorceu as costas, deitou abaixo as cartas:
- Não sejas parvo. Estás a ser imbecil. Se queres saber alguma coisa, pergunta-me, que eu respondo. Não te ponhas com jogos nojentos.
Romeu cala-se durante uns segundos e deixa que ela se acalme.
Depois diz:
- Ok, só um jogo nas tuas costas; uma paciência.
Ela não reage, fecha mais os braços, as mãos deitadas sobre a cara. Fecha os olhos, desiste de reagir, de pensar, de resistir.


Romeu vai pondo cartas nas costas de Julieta. Põe o baralho todo, dividindo-o em grupos, colunas, linhas. Estão todas viradas para baixo.
Faz contas, vai tirando cartas, virando-as; dividindo-as, depois as que ainda restam em cima das costas por grupos mais reduzidos. Levanta mais cartas; sobram agora cinco nas costas de Julieta; Julieta que se mantém indiferente, olhos fechados, quase a dormir, desinteressada.
Por fim, Romeu levanta quatro das últimas cartas e pousa-as no chão. Resta uma. Mantendo a carta virada para baixo, ele puxa-a para junto da nuca de Julieta.
Depois vira-a.
É um ás de espadas.
Um ás de espadas junto à nuca de Julieta.


por Gonçalo M. Tavares em "A bicicleta"
You said you'd be there for me
In times of trouble when I need you and I'm down

07 outubro 2009



#Coisa que não se percebe

- Estar em São Tomé é como estar no Sudoeste.
- #$#%/&"/* só se a razão for ambas começarem por S.

05 outubro 2009


se eu conseguisse descrever aquele momento, dizia-vos o que me libertou.

04 outubro 2009


andas a fazer filmes enormes quando é apenas uma curta metragem.

03 outubro 2009

pecadora a part time.

200

Outubro é a folha caduca que piso no caminho até casa.