26 outubro 2009

desincronizados, extraimos lentamente aquela neblina dos nossos pulmões. Ali, onde a ponte sobre o tejo é o pano de fundo, o rumo da conversa segue sempre o mesmo caminho. choramos memórias, contamos pecados, crucificamos pessoas, ressuscitamos os mortos e idealizamos futuros.
Duas almas que expulsam não só o fumo encarcerado nos pulmões mas também toda uma gosma de tristezas. uma vez ou outra lá contam alegrias, dizem piadas e pedem perdão. não são órfãos da felicidade apenas possuem um contentamento descontente desta vida.
Casaco apertado, cigarro na mão e um avultar de histórias pormenorizadas. o nosso best seate é ali, onde a maré vaza lentamente e as pessoas adormecem ao escurecer do dia. Somos almas de pulmão cheio e coração pequeno. Ali, ninguém nos ouve, nem nos encontra. deciframos perguntas e obtemos respostas, ou algo muito parecido. No fim, deixamos naquele espaço um bocadinho de nós e trazemos um coração mais quente ou, pelo menos, menos carregado.

3 comentários:

  1. É também onde mudamos o pano de fundo,onde o palco é outro e apenas nós somos os mesmos.Foi aqui que comecei a gostar mais de ti,longe dos mirones.AH e é onde surgem litrosas vindas do nada...para nos matar a sede :p

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