29 abril 2010

Olho em volta e assisto a um fenómeno recorrente: pessoas solteiras ou divorciadas encaixam com a primeira pessoa que aparece, desde que esta se mostre disponível para se dedicar a elas. É uma espécie de jogo das cadeiras, a ver quem é que se aguenta mais tempo sem ficar de fora. Hoje em dia, estar só, no sentido de não ter uma relação amorosa, ainda é um handicap; é como se uma pessoa tivesse perdido a sensibilidade nos dedos de uma mão por causa de um desastre de carro ou a Natureza a tivesse privado de três quartos da audição.
Não ter alguém acaba por funcionar como uma espécie de estigma de solidão e de abandono, qual carta transviada de um baralho extinto. E, com o tempo, quase se assemelha a uma doença crónica. Finalmente, quando alguém aparece, amigos e família rejubilam porque ter alguém representa uma conquista, uma vitória, um troféu que se exibe em reuniões familiares e eventos sociais.
É CLARO que é óptimo ter alguém, mas não por estes motivos. Não há nada melhor do que acordar todos os dias de manhã, olhar para quem ainda dorme na almofada ao lado e sentir aquele conforto de sabermos que amamos alguém que também nos ama.
E quando chega o fim do dia, depois do trabalho, do trânsito, dos imprevistos e de todas os pequenos nadas que nos carregam a existência, é bom ouvir o ruído tranquilizador da chave à porta. Essa chave significa que o nosso alguém também teve um dia cheio de pequenos dramas quotidianos e que, no regresso a casa, tem tanta vontade de descansar da vida lá fora como nós.
Mas isso só é mesmo bom se quem estiver ao nosso lado não for uma solução de recurso, uma substituição preguiçosa, uma segunda escolha. Não basta que seja boa pessoa, que vele por nós, que nos faça companhia e nos troque as lâmpadas e a água ao cão. É preciso mais e melhor.
É preciso que esse alguém seja quase tudo na nossa vida e não apenas uma presença passageira que nos distrai mas não nos alimenta, como uma comédia romântica ou uma casa de Verão alugada ao ano. É preciso que o conforto e o prazer se misturem nas doses certas: só prazer, cansa. Só conforto, entedia.
As SEGUNDAS escolhas podem trazer-nos a ilusão da segurança, mas se o coração, a cabeça e o estômago não estão lá por inteiro, mais tarde ou mais cedo, a miragem ganhará contornos daquilo que é: a projecção torpe de uma quimera sonhada. E quem escolhe por defeito – por medo da solidão, por pensar que não merece melhor, porque não quer sentir-se a tal carta do baralho extinto –, mais cedo ou mais tarde, será obrigado a enfrentar os seus próprios fantasmas.
Não acredito em segundas escolhas, nem acredito que elas nos tragam a verdadeira paz. Uma paz conformada não resiste muito tempo ao desafio de uma nova guerra. E, para quem não sabe estar só, o melhor é ir aprendendo. Mais vale só do que acompanhado por um alguém qualquer que tanto podia estar ao nosso lado como ao lado de outro alguém. Refugo, só nas lojas de velharias.



e é nestas alturas que o cntrl c + cntrl v se torna meu amigo.

25 abril 2010


foi de uma quarta para uma quinta feira em 1974.

22 abril 2010

... o seu nome é Deolinda e tem idade suficiente para saber que a vida não é tão fácil como parece, solteira de amores, casada com desamores, natural de Lisboa, habita um rés-do-chão algures nos subúrbios da capital. Compõe as suas canções a olhar por entre as cortinas da janela, inspirada pelos discos de grafonola da avó e pela vida bizarra dos vizinhos. Vive com 2 gatos e um peixinho vermelho.

Ó-ai, um até já!

21 abril 2010


pfiuuu, o que uma tese faz à cabeça das pessoas. Ontem não postei mas gostava de.

19 abril 2010

Pergunto-me onde acaba a linha da falta de personalidade e começa a da hipocrisia.

O sexo é como uma estação de serviço: às vezes recebe-se um serviço completo, outras vezes tem que se pedir para se ser atendido e há vezes em que temos que nos contentar com o self-service.

18 abril 2010

17 abril 2010

16 abril 2010


Porque tu me estendes a mão cheia de momentos, os quais a vida infelizmente não me concedeu. Porque tu, mesmo não me abraçando diariamente, pedes-me baixinho que não desista de crescer. Porque tu sempre foste a quietude e eu a aventura. Porque nós, mesmo na diferença, vamos lado a lado. E porque se a vida é um eterno regresso a casa, a amizade é um amor eterno. 

IV

14 abril 2010

No girl should ever forget,
that she doesn’t need anyone who doesn’t need her.

Marilyn Monroe
 

Oh é tao lindo o Amélia Dress!

13 abril 2010

Eu faço o que me é próprio e tu o que te é próprio. Não estou neste mundo para satisfazer as tuas expectativas, e tu não estás neste mundo para satisfazer as minhas. Tu és tu e eu sou eu. E, se eventualmente nos encontrarmos, é maravilhoso.Se não, não tem remédio.

Fritz Perls in Cartas para Claúdia
"Quanto ao Qatar não me apetece falar dessa merda, vai me custar bastante quando chegares daqui a 3 anos e eu ja ter a minha vida completamente avançada ou possivelmente decidida, (...) termos uma distancia entre nós fodida."

é daquelas frases Miguel que nos ficam no ouvido.

Vou-me pôr novo
Neste dia novo
Estreio um coração novo
Visto-me de branco
Bem alegre no meu luto
Saio para a rua
Mais contente que um puto
Acredita que custou
Mas finalmente passou
No final do dia
Foi só isto que restou

12 abril 2010


I want it!

11 abril 2010


gostaria agora de enroscar-me num peito largo de amor e silêncio.

10 abril 2010


Pões o teu isqueiro como oferta no meu campo de visão. Oiço-te a falar sobre ela enquanto baloiças o dito. Ela não é nada, sabes? Todos iremos ter um final feliz, bem antes do final. É a regra, queiremos quer não. Pessoas dramáticas como nós vivem o mundo above the line, e é isso que nos faz respirar todos os dias. Recuso o teu isqueiro enquanto olho para os meus ténis sujos. Perguntas-me por ele e desvio a conversa para a novidade que aperto na minha mão. Sei que questionas a cor. Significa mudança e sabes o que penso? Que o mundo seria melhor se as pessoas tivessem tempo para ter silêncio. Dás-me a mão como um verdadeiro amigo, mesmo sabendo que nada de extraordinário aconteceu. É apenas um isqueiro roxo.

09 abril 2010


Se eu pudesse parar o tempo parava. E despia-me de preconceitos Contigo.

tenho saudades de todas as noites (pouquíssimas) que dormi contigo. enquanto penso nisso, oiço-te dizer sempre tiveste medo de me olhar nos olhos. há a vontade de beijar a tua clavicula mais uma vez. esse espaço em ti cria o formato perfeito dos meus labios. sorrimos como cumplices.. como se fosse a ultima vez.

08 abril 2010


depois de descobrir o facebook dela, vi que tinha um email enviado por ela..
juro que pensava que era a morte do artista!
Here is your Today's Scorpio Horoscope:

Your romantic side explodes with delight - whether you're single or long-coupled! It's just one of those days when you can't help flirting and playing silly games with the object of your affections.

WTF?!
não posso deixar de arregalar os olhos sempre que o conteudo da minha inbox é algum email enviado pela Mrs Diptee ou alguma notificação sobre a minha tese.

pior é quando aparecem juntos. damn!

07 abril 2010


(...) o seu cabelo está mais comprido agora, e finas linhas ladeiam a sua boca como parenteses à volta de uma vida inteira de palavras que eu não estava lá para ouvir.

04 abril 2010

Alicia: How big is the universe?
Nash: Infinite.
Alicia: How do you know?
Nash: I know because all the data indicates it's infinite.
Alicia: But it hasn't been proven yet.
Nash: No.
Alicia: You haven't seen it.
Nash: No.
Alicia: How do you know for sure?
Nash: I don't, I just believe it.
Alicia: It's the same with love, I guess.

A Beautiful Mind (2001)

03 abril 2010


a tua voz está diferente, repetiu ele. não nos ouviamos à um ano e as estorias de um ano preenchem num ápice o vazio de uma conversa. a verdade é que nunca fomos proximos. facto que nunca nos incomodou. somos um encontro-coincidencia do destino: pertencemos à mesma linha de vida, possuimos o mesmo humor e somos reis e rainhas do mesmo dia, no mesmo mês. Secalhar por isso é que sempre resultou. E hao-de sempre resultar as nossas conversas sem marcação.

02 abril 2010


Theresa Osborne: And you'll just forget about me, right?
Garret Blake: Every day.

message in a bottle (1999)