28 fevereiro 2011
26 fevereiro 2011
Quantos recomeços tem uma vida? Um, dois, três... Existirá uma média? Qual é a escala?
Geralmente reiniciámos quando nos foge o tapete dos pés e somos obrigados a levantarmo-nos e a viver com os hematomas da queda, ou quando sentimos a necessidade de fazer um refresh e seguir aquela vontade que vem de dentro. Hoje, ambos se misturam num cocktail que poderá explodir a qualquer momento de dentro de mim. O medo, esse bichinho recatado no nosso íntimo, sabe que o bilhete é só de ida e, danado como ele é, atrasa o próximo passo. Medo de falhar, de que não dê certo, de voltar a cair, mas existe igualmente persistência, alento e paixão.
Apercebo-me que não importa onde ou em que momento da vida parámos, mas sim o quanto é positivo voltar a ter janelas abertas na alma e recomeçar, acreditando em mim mesma. É tempo de não perder mais tempo e, se necessário, recomeçar do quilómetro Zero.
22 fevereiro 2011
21 fevereiro 2011
17 fevereiro 2011
Ainda hoje me apeteceu mudar a minha vida toda. É uma éspecie de frémito, uma coisa que me dá aqui para os lados da dorsal e que faz pousar os pés no chão com a finíssima convicção de que este dia não passará. E enquanto lavo a cara e olho para o espelho como sempre fazem nos filmes os revolucionários, penso naquilo que irei deixar para trás. E então, penso num incêndio em que tenho que decidir depressa o que levar comigo. E então penso na minha vida incendiada de repente, como tantas vezes acontece a tantos outros, só que desta vez é a minha e não é mais o acidente do outro lado da estrada, não é mais a notícia de alguém que não conheço, não foram os filhos dos outros, não foi noutro país nem numa rua que eu nem sei onde é, desta vez é comigo, foi em minha casa, fui eu, foi a minha vida. E tudo isto está de tal forma em chamas neste momento que peço pois que atirem água fria para cima do que faço e escrevo.
Hoje apeteceu-me mudar tudo e a minha grande dúvida foi desde logo perceber por onde começar. Devo eu mudar tudo à minha volta na esperança que eu me mude também? Ou devo eu mudar para que tudo mude à minha volta? Parecem iguais, não é? Mas não são. São diferentes. E aqui vos adianto: é mais fácil mudarmos tudo à nossa volta. Porque é muito difícil mudarmo-nos. Só se for de país, de casa, de roupa. Porque mudarmo-nos a nós, ao nosso eu com o qual sempre vivemos, que conhecemos tão bem, que pensamos em função de, que damos comidinha à boca há tanto como se fosse um filho, isso não é nada fácil.
Hoje apeteceu-me mudar a minha vida toda, mas o mais que fiz foi apenas escrever sobre isso e comprar umas calças novas.
Fernando Alvim em Opinião
14 fevereiro 2011
12 fevereiro 2011
11 fevereiro 2011
10 fevereiro 2011
A vida da Inês é quase um clichê da sociedade actual, filha da classe média alta, com pais separados, estuda num dos melhores colégios onde todos os seus colegas são copias quase idênticas dela. Crianças mimadas e com acesso a tudo ou quase tudo o que desejam. Sem muitas preocupações monetárias e até escolares, vivem de acordo com o que está na moda, sendo que a moda pode passar por exemplo por ir à internet ver fotografias e vídeos pornográficos. Com pais distantes ou que simplesmente não querem ver, vivem as suas próprias vidas desde muito cedo, não fazem escolhas, simplesmente deixam-se levar pela vida ao sabor do que está na moda, e não importa se é licito ou ilícito, caro ou barato, simples ou complicado.. mais que viver, o que importa é mostrar que se viveu.
Francisco Salgueiro, O fim da inocência.
05 fevereiro 2011
01 fevereiro 2011
"A loucura é viver na solidão dos outros, numa ordem que ninguém partilha. Durante muito tempo achei que escrever podia resgatar-me da dissolução e da escuridão, porque implica uma sólida ponte de comunicação com os outros e anula, por isso, a solidão mortal... Depois, compreendi que aqueles que chamamos loucos estão, muitas vezes, para além de qualquer resgate."
Rosa Montero, A Louca da Casa
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