11 novembro 2009

Era uma vez um menino que andava na escola. E o menino estava na escola e aprendia os verbos, porque quando se está na escola tem de se aprender os verbos e os verbos têm de ser aprendidos. Porque os verbos são o que faz com que as coisas andem, são as pernas das palavras. E se não aprendem as palavras não andam. E naquele dia era o verbo ter. Começava assim eu tenho e depois eu tinha e no fim eu tive. E o menino ficou a saber o que eram as coisas que estão e as coisas que já se foram embora. E era uma lição muito fácil e o menino lembrava-se que os avós já cá não estavam, e por isso já não tinha avós e só tinha meio pai porque o pai vivia com a meia mãe.
E o menino aprendia, aprendia muito, mais verbos, maneiras de ser do mesmo verbo, porque os verbos têm muitas maneiras de ser, como as pessoas, algumas maneiras tristes como eu teria e maneiras de muita alegria como eu terei. E o menino lembrava-se do Natal, que cada ano havia, e de todas aquelas coisas que não tivera por ter ficado de castigo.
Um dia o menino tinha de aprender eu tinha tido. Foi um dia muito triste. Nesse dia chovia muito e ele sentiu que um dia seria homem. Começou tudo nesse dia. Com muita pena.

Era uma vez por José António Barreiros

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