
Naquele instante, saltou-me a vida pela boca. Emaranhei as palavras num aguento, não sou, estou vazia. Por momentos, o meu pensamento deambulou meio-perdido entre os dias numa tentativa de os alinhar num espaço-tempo perfeitamente perceptivel. As lágrimas guardei-as cá dentro porque, para além de não fazerem parte da conversa, o vazio não as permite. A porcaria que sai de dentro de mim, e que sai pela boca, não é a porcaria em si porque essa mantém-se cá dentro. Saem as palavras. Um genero de porcaria representativa do que se passou. A minha vida num texto bonito, ensaiado, reproduzido imensas vezes como acção visualizada em modo repeat. E a porcaria continua cá dentro, a apodrecer, a criar vermes e a ser, indubitavelmente, um pouco de mim. Uma redundância redundante que não precisa de explicação.
Mas que há pessoas que cavam a minha sepultura, lá isso é verdade. Nunca hão-de é perceber o tamanho da coisa.
Mas que há pessoas que cavam a minha sepultura, lá isso é verdade. Nunca hão-de é perceber o tamanho da coisa.
Sem comentários:
Enviar um comentário