04 abril 2009

E eu sinto-me sempre bem nas ruas desta cidade. Conheço-lhes o cheiro. A cor. Perco-me na multidão e imagino-lhes a vida. Amores possíveis. Filhos. Amizades. Tento adivinhar-lhes o quotidiano. As pequenas coisas que os fazem felizes. Reparo nas feições, nos gestos. Desde o sorriso enternecedor da criança, no casal apaixonado, no homem que fuma cachimbo sentado na esplanada d'A Brasileira até à senhora que vem contra mim atarefada com os sacos de compras. Esqueço-me do meu Eu, das minhas preocupações e tristezas, e revivo-me na história dos outros. Muito mais feliz, imaginariamente.

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