26 fevereiro 2011

Quantos recomeços tem uma vida? Um, dois, três... Existirá uma média? Qual é a escala?
Geralmente reiniciámos quando nos foge o tapete dos pés e somos obrigados a levantarmo-nos e a viver com os hematomas da queda, ou quando sentimos a necessidade de fazer um refresh e seguir aquela vontade que vem de dentro. Hoje, ambos se misturam num cocktail que poderá explodir a qualquer momento de dentro de mim. O medo, esse bichinho recatado no nosso íntimo, sabe que o bilhete é só de ida e, danado como ele é, atrasa o próximo passo. Medo de falhar, de que não dê certo, de voltar a cair, mas existe igualmente persistência, alento e paixão.
Apercebo-me que não importa onde ou em que momento da vida parámos, mas sim o quanto é positivo voltar a ter janelas abertas na alma e recomeçar, acreditando em mim mesma. É tempo de não perder mais tempo e, se necessário, recomeçar do quilómetro Zero.

22 fevereiro 2011

21 fevereiro 2011


É uma espécie de vácuo que cresce dentro de mim, criando uma barreira que ele um dia não irá conseguir transpôr. E eu tenho medo da chegada desse dia.

19 fevereiro 2011


não encontro o do meu pai! Armazéns do martim moniz?..

17 fevereiro 2011

Ainda hoje me apeteceu mudar a minha vida toda. É uma éspecie de frémito, uma coisa que me dá aqui para os lados da dorsal e que faz pousar os pés no chão com a finíssima convicção de que este dia não passará. E enquanto lavo a cara e olho para o espelho como sempre fazem nos filmes os revolucionários, penso naquilo que irei deixar para trás. E então, penso num incêndio em que tenho que decidir depressa o que levar comigo. E então penso na minha vida incendiada de repente, como tantas vezes acontece a tantos outros, só que desta vez é a minha e não é mais o acidente do outro lado da estrada, não é mais a notícia de alguém que não conheço, não foram os filhos dos outros, não foi noutro país nem numa rua que eu nem sei onde é, desta vez é comigo, foi em minha casa, fui eu, foi a minha vida. E tudo isto está de tal forma em chamas neste momento que peço pois que atirem água fria para cima do que faço e escrevo. 
Hoje apeteceu-me mudar tudo e a minha grande dúvida foi desde logo perceber por onde começar. Devo eu mudar tudo à minha volta na esperança que eu me mude também? Ou devo eu mudar para que tudo mude à minha volta? Parecem iguais, não é? Mas não são. São diferentes. E aqui vos adianto: é mais fácil mudarmos tudo à nossa volta. Porque é muito difícil mudarmo-nos. Só se for de país, de casa, de roupa. Porque mudarmo-nos a nós, ao nosso eu com o qual sempre vivemos, que conhecemos tão bem, que pensamos em função de, que damos comidinha à boca há tanto como se fosse um filho, isso não é nada fácil. 
Hoje apeteceu-me mudar a minha vida toda, mas o mais que fiz foi apenas escrever sobre isso e comprar umas calças novas.

Fernando Alvim em Opinião

Podemos ver um filme e embrenhar-nos tanto ao ponto de pensar que vivemos cada pedaço da sua história. No entanto a vida não dura apenas hora e meia, não termina com um final feliz e não tem genéricos.